Incentivos de carreira levam funcionários a compartilhar mais conhecimento para treinar IA, aponta estudo


Pesquisa de Harvard e MIT mostra que profissionais colaboram mais quando a contribuição pode beneficiar sua trajetória na empresa e fora dela

Ensinar uma inteligência artificial a executar tarefas depende de informações que nem sempre estão nos manuais da empresa. A solução para um problema incomum, o histórico de uma negociação e a escolha de quem consultar antes de tomar uma decisão fazem parte da experiência dos funcionários. Para os empregadores, conseguir que eles compartilhem esse conhecimento exige lidar com uma dúvida: o que acontecerá com esses profissionais quando o sistema aprender parte de seu trabalho?

Em abril de 2026, a Meta iniciou um programa para registrar movimentos do mouse, cliques e teclas digitadas por funcionários nos Estados Unidos, além de imagens ocasionais das telas, para treinar seus modelos de IA. A companhia afirmou que os dados não seriam usados em avaliações de desempenho. Em junho, anunciou uma pausa na iniciativa para investigar questões de segurança dos registros coletados.

Registrar uma tarefa, no entanto, não explica todas as decisões de quem a executa. Para João Paulo Batistella, executivo de inovação e autor de Legado Inteligente, livro em preparação sobre a transformação das empresas na era da IA, conhecer a operação ganha importância à medida que as ferramentas se tornam mais acessíveis. Em sua proposta editorial, ele resume: “A fluência com a ferramenta fica barata e o conhecimento do negócio fica caro”. Essa experiência permite reconhecer quando um procedimento precisa mudar e quais consequências uma resposta pode trazer para o cliente ou para a empresa.

Um estudo de pesquisadores de Harvard e do MIT, atualizado em agosto de 2026, investigou como incentivar os funcionários a compartilhar esse conhecimento. Em um experimento numa organização de consultoria, participantes informados de que sua contribuição seria apresentada aos gestores e poderia contar para a carreira forneceram mais informações para desenvolver assistentes de IA. Eles também poderiam manter uma cópia do assistente, sem informações proprietárias da empresa, caso deixassem a organização. Esse grupo escreveu cerca de 75% mais texto descrevendo suas atividades. O resultado se refere ao volume de informação compartilhada, não a um aumento de produtividade.

Em outra etapa da pesquisa, com 4.275 trabalhadores em tempo integral nos Estados Unidos, os entrevistados estimaram que, em média, 41% do conhecimento relevante para suas funções não estava documentado pelo empregador. A medida representa a percepção dos participantes. Entre as lacunas estavam informações sobre situações incomuns, relações profissionais e o funcionamento dos processos internos.

Explicar procedimentos, selecionar exemplos e revisar respostas também ocupa tempo de trabalho. Para incorporar essas atividades à rotina, a empresa precisa definir como serão avaliadas e que responsabilidades virão depois. A economia obtida com a automação, por si só, não assegura aumento salarial, promoção ou uma nova função para quem ajudou a desenvolver o sistema.

Batistella defende uma organização em que pessoas decidem e coordenam agentes responsáveis pela execução, com limites claros de atuação. Nessa proposta, remuneração, carreira e preparação das equipes acompanham a mudança. Cabe à liderança definir quais decisões permanecerão com os profissionais, como eles serão preparados e de que forma será reconhecido o conhecimento que ajudaram a incorporar à operação.

Créditos: @batistellabr | CO Assessoria

Sobre o Autor:

João Paulo Batistella é fundador e CEO da Eleva Technologies, ex-CEO da Ericsson Inovação e autor do livro Legado Inteligente, em preparação, sobre a adoção de agentes de IA em empresas tradicionais. Instagram: @batistellabr.


 

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