Do medo à tranquilidade: como Lito transformou a história de quem tinha pavor de voar


O ano era 2006. Minha esposa Mariana estava grávida de poucas semanas da nossa primeira filha. Cheguei em casa e ela me recebeu apavorada na porta:
– “Um avião da Gol sumiu. Deve ter caído!”

Mari sempre teve, nem vou dizer medo, mas pavor de voar. O mais irônico é que sua primeira viagem de avião foi aos três meses de idade e, desde então, nunca mais parou. Ainda assim, detestava voar. Quando soubemos que o voo 1907 havia se chocado com uma aeronave menor e caído, ela entrou em pânico:
– “Nunca mais vou voar!”

Tínhamos uma viagem marcada para a Serra Gaúcha em uma semana. Deixei que ela decidisse. Ela quis ir. Passou o voo inteiro tensa. Aproveitamos a viagem, mas o medo continuava ali:
– “Vamos ter que voltar de avião…”

Dois meses depois, viajamos novamente, dessa vez para um casamento na cidade natal dela. Fomos eu, ela e minha sogra. Pegamos uma pequena turbulência. Foi aí que tudo desandou. Mari começou a gritar:
– “Eu não quero morrer grávida. Minha filha nem nasceu!”

Percebi que ela precisava de ajuda.

Na volta, durante a aterrissagem no Santos Dumont, veio outro grito:
– “Freeeeia! Freia essa joça! Freiaaaa! A gente vai cair no mar!”

Ela suava frio. Nos anos seguintes, viajar de avião virou um tormento. Eu tentava ajudar, mas quem sente esse tipo de medo sabe: na hora, quase nada funciona. Você pode abrir o manual de pilotagem, chamar engenheiro, piloto, controlador de voo. Não adianta…

Em um voo para Toronto, enfrentamos uma turbulência forte. Mari entrou em pânico. Foi tão intenso que um dos pilotos veio até ela. Abriu a carteira e tirou uma foto Polaroid de um bebê.
– “Está vendo essa criança? É minha neta. Nasceu ontem. Minha primeira neta. Tirei essa foto e me recuso a aceitar que só vou vê-la uma única vez. Então este avião não vai cair.”

Mari, seríssima, respondeu:
– “Sua neta é linda e… peraí. O senhor não deveria estar na cabine? Voltaaaa!”

Alguns anos depois, faríamos uma grande viagem. E, como sempre acontecia nessas ocasiões, minha esposa começou a sofrer muito antes da partida. Até que um dia ouvi:
– “Peraí que eu vou procurar uma coisa aqui na internet.”

Silêncio. Ela lia.

– “Ué, Léo… parece que não.”
– “Não o que?”
– “Turbulência não derruba avião.”
– “Onde você viu isso?”
– “Um tal de Lito está falando aqui. Vou entrar no canal dele no YouTube.”

E foi assim que começou. De curiosa e com fobia de avião, minha esposa virou membro do canal, fez praticamente todos os cursos do Lito, comprou livro e se transformou numa espécie de porta-voz de quem ainda tem medo de turbulência. Desde 2021, Mari dorme quando há turbulência. DORME. Medo zero. E, quando o chacoalho fica mais forte, ela olha para mim e diz, com a tranquilidade de quem finalmente entendeu:

– “Turbulência não derruba avião, por mais forte que seja.”

Obrigado, Lito.
Voe em paz.

Sobre o Autor:

Leo Brandao é executivo Comercial 360°, com liderança multifuncional abrangendo Procurement, Vendas, Pós-Vendas e Serviços. Histórico comprovado em impulsionar transformação, eficiência de custos e criação de valor nos setores de Mineração, Óleo & Gás, Tecnologia e Consultoria. Experiente em liderança de equipes globais, negociação de alianças e gestão de mudanças junto a stakeholders internos e externos, clientes, parceiros e fornecedores. Reconhecido por combinar visão estratégica, expertise técnica e forte habilidade interpessoal para entregar resultados de negócio mensuráveis com rigor operacional, posicionando organizações para crescimento sustentável e vantagem competitiva de longo prazo.


 

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