Violência no trabalho: humilhações e intimidações não devem ser tratadas como “brincadeira”

 


Após ataques recentes em ambientes de trabalho em São Paulo, psicóloga aponta medidas de prevenção e a necessidade de canais seguros de denúncia e lideranças preparadas

Comentários constrangedores, apelidos depreciativos, exposição pública de erros, isolamento de colaboradores, intimidações veladas, desqualificação constante do trabalho, humilhações em reuniões e cobranças excessivas podem parecer atitudes isoladas, mas têm potencial para comprometer significativamente a saúde mental dos trabalhadores. “Quando essas práticas são toleradas ou ignoradas, cria-se um ambiente propício para o desenvolvimento do assédio moral”, aponta Márcia Reis, psicóloga e professora da Universidade Anhembi Morumbi, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima.

Na última semana, dois episódios graves de violência em ambientes de trabalho foram registrados em São Paulo. Três funcionários foram mortos dentro de uma fábrica de produtos de limpeza em São Bernardo do Campo (SP) por um colega de trabalho que, na sequência, tirou a própria vida. Em um atacadista de Jundiaí (SP), um açougueiro esfaqueou três colegas. Ambos os crimes foram planejados, com suspeitas de bullying e sentimentos de perseguição.

Segundo Márcia, a prevenção é a estratégia mais eficaz para evitar o agravamento de conflitos no ambiente de trabalho. “Nenhuma organização espera que situações graves ocorram dentro de suas dependências. Contudo, muitas vezes pequenas manifestações de violência são naturalizadas diariamente sob a justificativa de serem brincadeiras, formas de integração, perfil da equipe ou até mesmo pressão normal do ambiente corporativo”, aponta.

Ações permanentes

Para a professora, as empresas precisam deixar claro, de forma permanente, qual é a sua posição diante de qualquer forma de violência psicológica. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Estabelecer e divulgar políticas claras de prevenção ao assédio moral e sexual;
  • Promover treinamentos periódicos para líderes e equipes;
  • Realizar campanhas de conscientização;
  • Desenvolver competências relacionadas à comunicação respeitosa, diversidade, inclusão e gestão saudável de conflitos;
  • Oferecer canais de denúncia terceirizados e seguros, com garantia de sigilo, imparcialidade e proteção contra possíveis retaliações.

A existência desses canais é um dos caminhos para que os trabalhadores possam relatar situações inadequadas sem medo. “Se o colaborador acredita que sua denúncia será ignorada, minimizada ou utilizada contra ele, dificilmente buscará ajuda. E quando o silêncio se instala, os problemas tendem a crescer longe dos olhos da gestão”, avalia.

O papel das lideranças

Márcia defende que as lideranças desempenham um papel fundamental na construção de ambientes de trabalho saudáveis. Além de identificar sinais precoces de sofrimento emocional, os gestores precisam compreender que suas atitudes servem de referência para toda a equipe. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, queda repentina de desempenho, aumento do absenteísmo, irritabilidade, conflitos frequentes e manifestações de ansiedade podem ser importantes indicadores de que um colaborador está enfrentando dificuldades.

“Observar esses sinais é apenas parte da responsabilidade da liderança. Líderes eficazes influenciam a cultura organizacional por meio de suas próprias condutas. O respeito, a ética, a empatia e a comunicação assertiva precisam ser demonstrados diariamente nas relações de trabalho. Quando gestores acolhem diferentes perspectivas, realizam feedbacks de forma construtiva, valorizam as contribuições das equipes e intervêm diante de comportamentos inadequados, fortalecem um ambiente de segurança psicológica e respeito mútuo”, acredita.

A professora lembra ainda que, da mesma forma que as organizações investem na prevenção de acidentes físicos por meio de equipamentos, treinamentos e protocolos de segurança, é necessário compreender que ambientes psicologicamente seguros também precisam ser construídos de maneira intencional e contínua.

“Uma cultura organizacional saudável não surge por acaso, mas é resultado de decisões diárias, lideranças preparadas, comunicação transparente e um compromisso genuíno com o respeito às pessoas. Empresas que adotam uma postura ativa na prevenção do assédio não estão apenas reduzindo riscos jurídicos ou protegendo sua imagem institucional. Estão protegendo vidas”, diz.

Sobre a Universidade Anhembi Morumbi

A Universidade Anhembi Morumbi, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, oferece programas de graduação, graduação tecnológica e pós-graduação lato sensu e stricto sensu, distribuídos nas áreas de Ciências da Saúde; Turismo e Hospitalidade; Negócios; Direito; Artes, Arquitetura, Design e Moda; Comunicação; Engenharia e Tecnologia e Educação. Além disso, a Medicina da Universidade Anhembi Morumbi é parte da Inspirali, um dos principais players de educação continuada na área médica do país”. Seus cinco campi estão localizados nas regiões da Avenida Paulista, Vila Olímpia, Mooca, São José dos Campos e Piracicaba.

Possui laboratórios de última geração e diferenciais como a internacionalidade, já tendo enviado, desde 2006, milhares de alunos do Brasil para realização de cursos no exterior, além de receber centenas de estudantes estrangeiros em seus campi, que se tornaram locais multiculturais para o aprendizado. A Anhembi Morumbi também contribui para democratização do Ensino Superior, ao oferecer cursos digitais com diversos polos dentro e fora de São Paulo. Além disso, o aluno aprende na prática desde o primeiro dia de aula.

Saiba mais sobre a Anhembi Morumbi em https://portal.anhembi.br/.

Sobre a Ânima Educação

Com o propósito de transformar o Brasil através da educação, a Ânima é o maior e mais inovador ecossistema de educação e impacto para o Brasil, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é composta por cerca de 360 mil estudantes, distribuídos em 18 instituições de ensino superior e aproximadamente 380 polos educacionais em todo o país.

integradas ao Ecossistema Ânima também estão marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI, Le Cordon Bleu São Paulo, SingularityU Brazil, Inspirali, Community Creators Academy, Learning Village – primeiro hub de inovação e educação da América Latina – e Instituto Ânima.

Desde 2013, a companhia está listada na Bolsa de Valores no segmento Novo Mercado, que reúne empresas com os mais elevados padrões de governança corporativa. Em 2023, a Forbes, uma das mais respeitadas publicações de negócios e economia do mundo, incluiu a Ânima entre as 10 companhias mais inovadoras do país. Além disso, a Presidente, Paula Harraca, foi reconhecida como Executiva de Valor na categoria Educação, na edição de 2026 do Prêmio Executivo de Valor, que destaca os gestores que mais se destacam à frente de empresas e organizações.


 

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